Emendas parlamentares – farra sem igual

Ampla Visão com Manoel Afonso


11/01/2018 12h48 - Por: Kleber Souza
 
Ampla Visão com Manoel Afonso Ampla Visão com Manoel Afonso

TEM JEITO? Gasta-se no que realmente dá votos e não nas prioridades da população. Esse exemplo do aquário de Campo Grande não é exclusividade em desperdício de dinheiro do contribuinte. Vejam: para 2018 – só para promoção e marketing de cidades os deputados e senadores destinaram um total de R$32,93 milhões através das famosas emendas.

A FARRA No ano passado foram torrados em ‘marketing’ nada menos que R$7,15 milhões, superando as emendas destinadas para custeio de obras de infraestrutura hídrica na ordem de R$2,58 mlhões e quase igual o valor destinado a universidades federais, no total de R$ 7,38 milhões. Aliás, o valor de emendas liberadas pelo presidente Temer (MDB) é o maior dos últimos anos: R$ 10,7 bilhões.

PASMEM! A denominação ‘promoção e marketing do turismo’ esconde uma sacanagem sem tamanho. Na verdade foi dinheiro para pagar shows de artistas em festas populares e até corridas de motos no interior do país. Exemplos: Bruno & Marrone levaram R$ 250 mil, Victor & Léo - R$200 mil, banda Aviões do Forró – R$180mil para se apresentarem na festa de São João em Maracanaú, no Ceará.

UM PORRE! As emendas parlamentares sempre funcionaram como uma moeda de troca entre o Executivo e os senadores e deputados. A velha política de São Francisco de Assis. Mas em 2017, com as duas votações de impeachment os congressistas se aproveitaram para cobrar caro. Isso sem contar as negociatas na votação da Reforma Trabalhista. Eles não tem do que reclamar.

PRIORIDADES O normal seria que os parlamentares reivindicassem emendas para obras e ações nas áreas da saúde, educação e segurança principalmente. Ambulâncias, viaturas policiais, equipamentos hospitalares, prédios escolares e afins parecem não ser prioridade para os iluminados representantes do povo. Confiam na paciência ou cumplicidade de seu povo encurralado.

SEM ILUSÕES... Estamos em ano de eleições e aí não é preciso ter bola de cristal para prever como o jogo será jogado. Os partidos fragmentados, o Governo sem rumo e a oposição sem confiabilidade. É neste ambiente – após a Copa do Mundo – é que iremos as urnas. Duas as opções: o brasileiro continua bonzinho ou afia a sua faca para dar um basta neste festival de corrupção sem tamanho.

MARUM No fio da navalha caso não seja recompensado com uma cadeira no Tribunal de Contas da União. As charges de piadas sobre ele na internet e redes sociais mostram que sua imagem ficou desgastada com a fidelidade ao ex-governador André Puccinelli (MDB), ao ex-poderoso Eduardo Cunha e agora ao presidente Michel Temer. Mas comenta-se que pela sua estatura física poderia ser Rei Momo inclusive. É! Procede.

ZECA DO PT As opiniões de especialistas em direito eleitoral convergem no sentido de que ele deva ter êxito através de Ação Declaratória no STJ para suspender os efeitos da decisão condenatória no TJ-MS. Para o advogado Antonio Trindade, no caso de insucesso deste remédio judicial, restaria ainda o instrumento do agravo ao Supremo para obter uma liminar permitindo-lhe sua candidatura. Trata-se de matéria nova decorrente de condenação via Lei da Ficha Limpa, sobre a qual há teses divergentes no mundo jurídico.

MEMÓRIA Candidatos a prefeito de Paranaíba e Aparecida do Taboado – respectivamente – Daladier Agi e Djalma Furquim – foram condenados pelo TCE-MS. em função das contas rejeitadas. Conta o advogado Antonio Trindade que recorreu com sucesso ao TJ-MS onde obteve uma liminar garantido-lhes o direito de concorrer. Por analogia, tanto Zeca como o próprio Lula poderiam usar deste remédio jurídico para disputarem o pleito deste ano.

INCÓGNITA Zeca do PT foi condenado no rumoroso processo da ‘Farra da Publicidade’. Mas os juristas entendem que é preciso separar o ato criminal do fato dele (governador) ser o ordenador de despesas - do proveito material deste crime. A tese caminha exatamente no sentido de que apesar de ser administrativamente responsável pelo governo, ele não participou diretamente do ato irregular. Tudo pode acontecer.

FABIO TRAD No café amigo com o deputado federal (PSD) indaguei-lhe se a nomeação da nova ministra do trabalho mudaria seu voto na reforma da previdência. Ao seu estilo disse que não, pois tomou a decisão baseado em números e argumentos técnicos, independentemente da nomeação deste ou daquele agente político.

DUAS MANCADAS 1ª. No lugar de fazer uma vaquinha para pagar a vergonhosa dívida dos funcionários da sede do diretório regional do PT, os petistas locais vão para Porto Alegre acompanhar o julgamento de Lula. Claro, não ficarão em barraquinhas de lona. 2ª. A nomeação da deputada Tereza Brasil (PTB) para o cargo de ministra do trabalho. Logo ela que também deu péssimo exemplo não pagando os direitos trabalhistas de um ex-funcionário.

LEVY DIAS Em 2017 elogiei o ex-senador. Agora, falando dele com um notável empresário da capital, ouvi: "Quando Levy foi prefeito não havia o marketing pessoal e de gestão. Levy investiu pesado nas obras de infraestrutura. O asfalto do bairro São Francisco, por exemplo, é formidável até hoje graças a base bem feita, a compactação e materiais de primeira. Suspeitas de corrupção? Jamais." Taí a diferença!

‘MORAL’ Além de prisão por crime eleitoral, Nelson Nahim, do PSD-RJ, carrega a pecha de integrar rede de exploração sexual de crianças/ adolescentes. Esse ‘ilustre’, irmão do ex-governador Garotinho, é o sucessor na Câmara Federal de Cristiane Brasil, quando assumir o Ministério do Trabalho. E mais: devido a coligação poderia também substituir Celso Jacob (MDB-RJ), cumprindo pena por falsificação de documento público. Só gente boa.

REZAR...REZAR Não é preciso ser especialista para imaginar as indulgências que nossos ilustres políticos esperam receber da padroeira Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Evidente que não questiono e nem duvido a fé extraordinária deles, mas as proximidades das eleições ensejam um binômio antigo – ‘fé & eleições’ - que pode lograr êxito como frustração.

CAPITAL Primeiro foi o prefeito Juvêncio Cesar da Fonseca (PMDB) que deu ônibus de graça aos estudantes. Depois o passe livre para idosos, deficientes físicos e passeios grátis mensais. Agora os vereadores querem que o pessoal a partir de 60 anos seja contemplado. Pergunto: quem paga a conta? Desde quando prefeito pode praticar renuncia fiscal? Os vereadores precisam sim consultar seus assessores jurídicos.

ARREMATE Circula na internet uma piada muito boa sobre nossa gloriosa manada política. Ela reprisa o seguinte desabafo de um experiente político: " Não posso mais compactuar com os atos ilícitos de meu partido. Corrupção, canalhices, chantagens e manipulação de verbas. Definitivamente pra mim bata. Tô fora! Amanha mesmo vou colocar meu mandato a venda. A origem da grana não interessa. Quem der mais leva!"

"A felicidade bate na porta. Mas ela não gira a maçaneta. Faça isso em 2018."

(Clarice Lispector)

 

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